“Saúde” é um conceito histórico.
A Organização Mundial de Saúde (OMS, 1946) define saúde como “um estado de completo bem-estar físico, mental e social e não apenas a ausência de doença”. Ao longo do tempo este conceito foi sendo ampliado para inserir noções de “direito a saúde”, incluindo as relações do homem com o meio ambiente saudável.
A saúde humana emocional é moldada pelas habilidades de agência e pela flexibilidade.
Agência é a capacidade de moldar as próprias escolhas e tomar ações decisivas no mundo.
Flexibilidade é a capacidade de responder com fluidez aos eventos, à medida que eles ocorrem. Ambas as habilidades contribuem para os traços emocionais que moldam a experiência afetiva [1].
A diminuição ou perda de agência e/ou flexibilidade contribuem para o comprometimento funcional que caracteriza lesões e doenças, médicas e psiquiátricas, incluindo vícios.
O trabalho de autoconhecimento tem a potencialidade de melhorar o bem-estar ao longo da vida, a partir da ampliação das habilidades de agência e de flexibilidade, através da Psicoterapia. Trabalhar estas habilidades nos direciona ao processo de autotransformação.
Para vivermos uma vida de “bem estar” precisamos não só aliviarmos alguns sintomas que podemos estar produzindo, reduzindo sofrimentos, mas também nos sintonizarmos conosco mesmos, percebendo como podemos ser agentes de nossos processos de transformação e expansão pessoal, atuando de forma flexível.
Mas como estamos vivendo uma vida de “bem estar” no mundo cada vez mais acelerado e complexo em que estamos inseridos?
O Ambiente Externo
Diante de tantos estímulos produzidos em um mundo que valoriza cada vez mais o “pensamento algorítmico”, que nos leva mais para a amplitude do que para a concentração, estamos mais frequentemente sendo convidados “a nos perdermos”, do que a refletirmos sobre nossos próprios processos internos [1].
Prejuízos
Ao continuarmos neste ritmo, nossas habilidades de flexibilidade psicológica e de agência — perceber nossas próprias escolhas e agir tomando ações decisivas — diminuem, contribuindo para o comprometimento de nossas funções neuropsicológicas, podendo resultar em doenças médicas e/ou psiquiátricas.
Outras habilidades que também sofrem prejuízos ao seguirmos este caminho, sem reflexão, são a de “criar sentido” e de “pensar no futuro” [2] e [3]). E, como resultado, nos afastamos do saudável processo de maturação, através do qual nos autoconhecemos.
A Psicoterapia e o treino em “pensar futuros”.
E é diante desta perspecttiva que a Psicoterapia se constitui numa atividade de grande apoio, a fim de nos estabilizarmos diante dos altos e baixos com os quais precisamos lidar, vivendo os paradoxos deste mundo que se nos apresenta de forma tão acelerada.
Ao procurar o serviço de Psicoterapia, o paciente busca aliviar seus sintomas, reduzir seus sofrimentos e também enxergar novas possibilidades.
Psicólogos se utilizam da habilidade de “criar sentido” ao escutar as narrativas de seus pacientes: o que contam sobre si mesmos, sobre o que sentem, como pensam e discorrendo sobre a situação em que se encontram num determinado momento, quando buscam ajuda no serviço de psicologia.
Pacientes fazem narrativas. Psicólogos ajudam seus pacientes a “criarem sentido” destas narrativas. Através da relação terapêutica, o paciente “aprende” a “criar sentido” de si mesmo e do mundo à sua volta.
Ao estimular que os pacientes enxerguem novas possibilidades através de metodologias e ferramentas da área do “Pensamento em Futuros” (=Foresight) a Psicoteraía se torna um importante diferencial de processo terapêutico.
“Pensar em futuros” é uma capacidade humana. uma habilidade mental da área neurológica ligada à criatividade [4]. “Pensar Futuros” funciona como uma capacidade humana para fins de aumentar a continuação biológica de um organismo, calculando riscos, empregando prudência e cuidando. “Pensar futuros” pode ser descoberto pelo paciente junto ao terapeuta, pode ser treinado e aplicado em diversas áreas de sua vida diária.
Como Psicóloga e Futurista-Prática (habilitada no campo denominado Foresight), alio minha experiencia clínica ao “pensamento em futuros”, acolhendo e aplicando num setting terapêutico, ferramentas e métodos pesquisados na área de “pensamento em futuro”, que estão impulsionando pessoas a mudanças saudáveis e necessárias para navegarem num mundo em que a consciência de si mesmo e o planejamento são cada vez mais valorizados.
Neste processo em que terapeuta e cliente trabalham juntos, criam-se experiências de auto-observação, trabalhando o autoconhecimento e, do autoconhecimento à autotransformação.
[2] https://neurosciencenews.com/imagination-brain-wave-20212/
[4] https://julianabrandomagalhaes.medium.com/pensar-futuros-%C3%A9-26fa0d377f11
[5] https://jfsdigital.org/exploring-the-links-between-neuroscience-and-foresight/
