Pensar Futuros é…

“Pensar Futuros” é uma capacidade que o ser humano desenvolveu ao longo da evolução.Herdamos a capacidade de “pensar futuros” de nossos ancestrais mais distantes, que a utilizavam a fim de se anteciparem em relação aos perigos de predadores e aos ciclos da Natureza.

A capacidade de pensar no futuro neste “modo default”, associada a questões de sobrevivência, nos restringe, de um modo geral, a pensar de forma negativa a respeito do futuro, nos trazendo prejuízos emocionais e, como consequência, prejuízos em nossas tomadas de decisão. Porém, esta mesma capacidade nos trouxe inúmeras inovações quando a projetamos em “futuros inimagináveis”, como notamos através das histórias de ficção cientifica e no nosso dia a dia, a nos impulsionar a atingirmos melhores resultados.

Segundo pesquisas das Neurociências quando pensamos em futuros utilizamos a mesma ativação neuronal que utilizamos quando lembramos do passado [2], ou seja, a mesma ativação neuronal é utilizada, no momento presente, para pensarmos em tempos distintos: lembrando o passado, evocamos memórias e projetando o futuro, evocamos a imaginação.

Durante séculos, referências quanto à utilização de nossa imaginação esteve mais restrita às artes e ao universo infantil. Porém, no mundo complexo e acelerado em que vivemos, “pensar futuros”, de forma sistemática e através de metodologias estudadas no campo de “Estudos de Futuros”, nos permite nos prepararmos, nos recuperarmos e nos reinventarmos, nos antecipando às mudanças.

De acordo com o futurista Alvin Tofler, autor de Choque do Futuro (1970), “os analfabetos do próximo século não são aqueles que não sabem ler ou escrever, mas aqueles que se recusam a aprender, reaprender e voltar a aprender.”

Todos temos a habilidade de aprender a ler e escrever assim como todos temos a capacidade de imaginar. Porém pensar futuros nos demanda uma forma de pensar diferente do paradigma ocidental dominante, que é linear, e não estamos habituados a fazer isto de forma sistemática, utilizando metodologias. Refletindo sobre isto, a Unesco sugeriu que utilizássemos o termo “alfabetização de futuros” [1]para fortalecermos a habilidade de utilizarmos a imaginação, a fim de compreendermos melhor o papel do tempo “futuro” em nossas vidas e como podemos lidar melhor com ele, da mesma forma que este termo é associado à capacidade humana de aprender a ler e escrever. Pensar futuros de forma sistemática torna as pessoas mais hábeis em “usar o futuro” a seu favor.

E, apesar do futuro ainda não existir, ele pode ser imaginado e os humanos têm a capacidade de imaginar. Além disso, diferentemente dos nossos ancestrais que evoluíram fundamentando sua relação com o futuro na necessidade de sobrevivência, podemos, coletivamente, aprender a utilizar nossa relação com o futuro baseando-nos da responsabilidade que devemos ter para conosco mesmos e para com o planeta como um todo.

Estudos recentes [3] revelam que estamos passando por uma “fase de transição evolucionária” em que as mudanças culturais que escolhemos para lidarmos conosco, enquanto especie em nosso planeta, comparativamente as mutações geneticas, serão mais expressivas. E aqui estamos falando de epigenética. Neste sentido o papel do uso da imaginação, utilizada de forma sistemática nos ensaios ao “pensamentos em futuros”, passam a ter uma importancia ainda maior como catalizadora de mudanças.

Referências:

[1]

Futures Literacy

The future is uncertain. Climate change, pandemics, economic crisis, social exclusion, racism, the oppression of women…

en.unesco.org

[2] EXPLICANDOA MENTE MEMORIA https://www.netflix.com/watch/81062192?trackId=253840049&tctx=1%2C4%2C9104e022-1c19-4fbe-addf-17691e5a8eef-3807540%2Cab654a9f-9344-4de4ff10c7a1_47101208X55XX1624049971990%2Cab6510c6-e234-4a9f-9344-4de4ff10c7a1_ROOT%2C

[3] https://www-livescience-com.cdn.ampproject.org/c/s/www.livescience.com/amp/culture-evolves-faster-than-genes.html

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